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'Sou muito mais feliz': quem é o jovem que vai receber R$ 100 mil após ser expulso de casa por ser gay
16/09/2026
(Foto: Reprodução) Homem alega amizade após 10 anos de relacionamento, mas justiça reconhece união estável
Expulso de casa aos 17 anos após assumir um relacionamento homoafetivo, o catarinense Emanuel Roque, hoje com 18 anos, reconstrói a vida no Rio Grande do Sul. Em setembro, a Justiça de Santa Catarina condenou os pais dele a pagar R$ 100 mil por danos morais, violência e abandono afetivo.
Logo após expor sua orientação sexual, ele precisou deixar a residência onde vivia com a família, em Jaguaruna(SC), passou a sofrer ameaças e teve a intimidade exposta nas redes sociais pelos próprios pais.
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Adolescente vai receber R$ 100 mil, decide Justiça de SC
'Eles sempre vão ser os meus pais': jovem fala em perdão
Hoje Emanuel mora com o companheiro e trabalha como operador de caixa em um supermercado no Rio Grande do Sul.
Por causa da rotina intensa, que inclui longos deslocamentos de ônibus, e das dificuldades financeiras, precisou pausar os estudos e planeja concluir o ensino médio em 2027.
“Por menos que eu não tenha a vida financeira boa que eu tinha quando eu estava em casa, eu estou conseguindo conquistar minhas coisas com o meu dinheiro e com o meu suor", relatou ao g1.
Entre a rotina exaustiva de trabalho em um supermercado e os custos, o jovem comemora a autonomia alcançada.
"Hoje eu sou muito mais feliz morando com meu namorado, me sentindo realmente amado, podendo ser quem eu sou", declarou.
A condenação dos pais ocorreu após ação do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) constatar sucessivas violações de direitos cometidas pelos responsáveis dele.
A decisão também proíbe o pai do jovem de publicar qualquer conteúdo sobre a vida privada do filho. O casal nega as acusações e pode recorrer. O g1 tentou contato com os pais e a defesa deles, mas não obteve retorno até a última atualização da reportagem.
Emanuel Roque mora com o namorado no Rio Grande do Sul
TV Globo/Reprodução
Hostilização, abrigo e a busca pela Justiça
A crise familiar começou quando Emanuel tinha 17 anos e trabalhava em um mercado em Jaguaruna, onde conheceu o namorado.
Ao descobrir o relacionamento, a mãe reagiu com gritos e ofensas, enquanto o pai fez ameaças com um alicate e uma arma de fogo.
Os pais ainda o proibiram de frequentar a escola e exigiram que ele deixasse o emprego.
A gravidade do cenário exigiu a intervenção do Conselho Tutelar, que encaminhou o adolescente para um abrigo de proteção em agosto de 2025.
Foi no acolhimento institucional que Emanuel recebeu apoio psicológico e orientações jurídicas que terminaram na ação movida pelo MPSC.
“Naquela época tudo foi tão conturbado, mas foi um pouco feliz também quando conheci meu namorado e o pessoal do abrigo. Pela primeira vez, vi pessoas que realmente me deram apoio e conversaram comigo sobre o que eu poderia fazer”, lembrou.
Ele afirma que pretende manter contato permanente com a equipe do abrigo. “São pessoas que quero levar para o resto da vida.”
Justiça condena pais a pagarem indenização de R$ 100 mil a filho expulso de casa
Reprodução/TV Globo
Repercussão da sentença
Para fundamentar o processo, o MPSC apresentou provas como postagens em redes sociais, depoimentos e relatos de testemunhas.
Emanuel contou que não esperava a repercussão do caso e que ainda assimilava o impacto do valor fixado pelo juiz.
“Eu não sabia que ia ser tanto dinheiro. Quando saí de lá, acabei me desligando, não tenho muito conhecimento desse negócio jurídico e ainda estou um pouco em choque”, afirmou.
Segundo o jovem, os pais não o procuraram após a divulgação da sentença. Livre das ameaças, ele afirma que o foco atual é a consolidação de sua nova vida ao lado do parceiro.
Pais foram condenados a pagar R$ 100 mil ao próprio filho
TV Globo/Reprodução
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